sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Neste sábado tem Processo de Formação: Auto-Organização

                                                                                                                                               por:
                                               Oseias Rodrigues Moraes
Vânia Sabina Loiko

Ocorrera no dia 18 de outubro das 8:30 ao 12:00 no Centro Educacional do CEAGRO uma formação sobre a proposta pedagógica do Colégio Iraci Salete.
A palestras será conduzida pela professora Natacha da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, ela fez uma tese de mestrado que diz respeito ao sistema de organização e da ideologia que o Colégio Iraci aplica visando a formação do individuo, aceitando e tentando melhorar sua realidade.
Estarão presentes nesse encontro os alunos do grupo de dança, e os estudantes que participam do núcleo de dirigentes.
PAUTA:
Manhã: Estudo sobre os Núcleos Setoriais. Análise do planejamento (NÚCLEO SETORIAIS E COMPLEXOS DE ESTUDO ), tendo como objetivo debater como está sendo implantado este projeto, o que é preciso melhorar e se isso realmente funciona na prática.
Tarde e noite: Estará sendo realizado uma oficina de Dança Contemporânea para os alunos que participam do Grupo de Dança.
A formação tem como objetivo conscientizar os jovens do campo a se auto-organizarem e se posicionarem com ações diferentes em relação a sociedade e dentro da escola. Também será tratado um modo de quebrar o antagonismo que se tem entre o conteúdo aplicado na escola e a realidade campo.


Apresentação do curso de Direito da UFPR

por: 
Oséias Rodrigues Moraes 
Vânia Sabina Loiko

Atenção educandos do 3º ano do Ensino Médio, 4º ano do curso de Formação de docentes e comunidade


No dia 20 de outubro, segunda-feira, no Acampamento Herdeiros da Terra de 1º de Maio, das 9 horas ao meio dia, estará ocorrendo uma oficina do curso de Direito da Universidade Federal do Paraná – UFPR, com o objetivo de apresentar o curso, bem como divulgar o processo de seleção para abertura de novas turmas. Lembramos ainda que este processo seletivo será feito via ENEM. Para mais informações, na secretaria do colégio.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Breve história de luta e conquista do Recanto da Natureza na peleia pela agroecologia!


No dia 30 de março de 1999 aconteceu a ocupação de uma fazenda improdutiva na região Centro do Paraná. Cerca de 20 famílias, oriundas de comunidades vizinhas, filhos e filhas de pequenos agricultores, arrendatários e posseiros se organizaram no Movimento Sem Terra e ocuparam a área com o intuito de produzir, gerar renda e sustento para as famílias. Nos primeiros dias foi realizado o trabalho de construção dos barracos, limpeza do terreno, a segurança feita 24 horas por dia, e mesmo a preparação da comida era feita de forma coletiva para garantir que todos tivessem acesso, cada família trazia o que podia para contribuir, a necessidade do momento ajudou construir nas famílias um espírito de coletividade e cooperação.

No ano de 2006 encerrou para a comunidade e principalmente para as mulheres o ciclo daquela agricultura convencional inviável tanto economicamente, como social e ambiental, já não era mais possível produzir daquele jeito.

Como o estado não fazia o assentamento às famílias decidiram dividir a terra provisoriamente com isso intensificou a preocupação com as nascentes de água que iam abastecer as casas de cada família e muitas estavam contaminadas. A comunidade organizou um mapa considerando todas as fontes, nascentes, córregos, rios, banhados etc. e definiu
uma  metragem bem maior que aquela prevista na lei para a preservação. As condições de saúde e econômicas instigavam as famílias a seguir avançando com a produção de alimentos limpos de agrotóxicos e agroquímicos. As famílias nomearam a comunidade de Recanto da Natureza fazendo com que o compromisso da preservação fosse assumido publicamente por todos.

A Luta das famílias pela conquista da terra e por dignidade se arrasta desde 1999 quando foi ocupada, até hoje são quase dezesseis anos de lutas, sofrimentos, descobertas, inovações e muitas conquistas. Jovens que nasceram no primeiro ano de ocupação já completaram 15 anos e ainda não viram o tão sonhado assentamento, nem por isso desistiram de sonhar, construir suas  moradias, adquiriram energia elétrica que deu um salto de qualidade na produção. 


O  avanço na participação das mulheres em todas as instâncias, a  produção do mel, a continuidade da produção agroecológica, a certificação das famílias para a produção, a comercialização da produção na feira que ocorre em Laranjeiras do Sul todas as quintas a partir das 16 h, a inserção no PAA e PNAE, a construção coletiva da agroindústria de processamento de alimentos a vácuo dos alimentos produzidos internamente dentre outras conquistas demonstram o avanço da consciência política e consciência de classe da comunidade Recanto da Natureza e da luta desse 30 anos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra!



Seminário nacional debate as diversas dimensões da educação

Da Página do MST


Com o lema “Forjar Lutadores e Construtores do Futuro é tarefa da Classe Trabalhadora”, a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em Foz do Iguaçu, foi palco do “Seminário Nacional Experimento Pedagógico das Escolas Itinerantes: Organização Curricular Por Complexos de Estudo”.

O seminário aconteceu entre os dias 25 e 27 de setembro, e contou com a participaram de 150 educadores e educadoras de várias regiões do Brasil (RS, SC, PR, SP, RJ, ES, CE), que atuam em escolas de assentamentos e acampamentos em todo país.

Organizado pelo setor de educação do Movimento em parceira com a Unioeste, o seminário trouxe a prática pedagógica em construção nas escolas itinerantes no Paraná, desenvolvida a partir dos princípios da educação do MST, que incorpora elementos pedagógicos socialistas e alimenta a construção de uma nova forma escolar, ao dar centralidade à atualidade, ao trabalho e a auto-organização dos estudantes.

Nesse sentido, o propósito da atividade foi formar educadores e educadoras que contribuem na construção de uma escola e de uma educação que se preocupe com a formação humana em todas as suas dimensões.

Com isso, as escolas do Paraná realizaram a socialização dos resultados do trabalho desenvolvido nos últimos anos, como o Projeto Pedagógico dos Ciclos de Formação Humana, e um balanço crítico sobre a construção da organização curricular em Complexos de Estudo.

As discussões procuraram dialogar com a prática das escolas dos outros estados presentes, constatando as diferentes dimensões da pedagogia do Movimento, e com isso, visualizar os melhores caminhos a serem percorridos para avançar na construção deste processo.

Professores de inúmeras universidades, como a Unioeste, Unicentro, UFFS, UFPR, UFPR-Litoral, Unila, Unicamp, Fiocruz, UFSC, UEL, tem contribuído neste processo e também participaram da atividade.

Além dos professores, também participaram representantes da Secretaria de Estado da Educação do Paraná, dos Núcleos Regionais de Educação de Cascavel e de Foz do Iguaçu, e da Secretaria de Estado da Educação do Rio Grande do Sul.

Educação e Produção

Para o pedagogo e mestre em Educação, Luiz Carlos de Freitas, o seminário demarca a elaboração de caminhos para a transformação da escola, projetando e construindo coletivamente uma organização curricular que contemple as diferentes matrizes formativas presentes na vida social. 

Segundo Freitas, para alterar a forma escolar “é necessário que se permaneça encarando a configuração da escola clássica como um problema político e de enfrentamento contra os interesses dominantes."

A partir disso, "é necessária a convicção de que a construção da escola da classe trabalhadora se fará articulada à produção da vida dos assentamentos e acampamentos”, segue o pedagogo, ao destacar o vínculo da educação com a luta social e a produção.

Nesse sentido, o professor coloca que neste processo de construção, a produção de alimentos com referência na agroecologia é uma ação fundamental, tanto da preservação da terra como patrimônio universal, como na qualidade dos alimentos, num confronto direto com a produção do agronegócio que degrada a terra e gera graves conseqüências à saúde humana e ao meio ambiente com a utilização dos agrotóxicos.

“O dono do agronegócio não come o que planta, pois sabe que produz a morte. A morte do outro se justifica pela necessidade de acumulação de capital, mas é claro, ele não quer a morte para si”, afirma.

Roseli Salete Caldart, do setor nacional de educação do MST, também trouxe a reflexão da apropriação do conhecimento no atual estágio da luta de classes.

“Diante da atual complexidade da luta, compreendemos a necessidade de apropriação do conhecimento que permita apreender conexões, contradições, tendências de mudança dos fenômenos sociais e naturais".

Para Roseli, umas das exigências formativas é "o exercício prático da concepção de conhecimento que teoricamente assumimos, e como desafio a ser iniciado com as novas gerações. A escola e o conhecimento são de nosso interesse, dos quais não abrimos mão”, ressalta.

Arte e conhecimento

A vivência artístico-cultural também se fez presente na programação. Expressões artísticas como Coral, Teatro, Curta Metragem, Místicas e Circense, realizados a partir das produções dos educandos das Escolas Itinerantes e da Escola Base Iraci Salete Strozak, contemplaram a formação das outras dimensões humanas.

O Parque Nacional do Iguaçu também recebeu a visita dos educandos, onde se aprimoraram na educação ambiental. 

A noite cultural de integração latino-americana socializou as produções de coletivos de estudantes da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), que realizaram apresentações de Maracatu, Tango, Hip-Hop Guarani Haé Kuera, Dança Folclórica Argentina e Boliviana, Dança Marinera Nortenha do Peru e Dança Afro-Brasil e Argentina.  

Resultado

Os debates desenvolvidos ao longo de todo o seminário servem para que os educadores retornem às suas escolas com o entendimento da estratégia utilizado pelo Movimento na construção das escolas do campo.

Para Roseli Salete, a concretização da escola que se pretende depende das realidades locais, que ditam os caminhos mais adequados para transformá-la. A educadora afirma, portanto, que “as condições em cada realidade exigem que façamos luta”, aponta. 


Fonte: http://www.mst.org.br/node/16569, acessado em 1º de outubro de 2014.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Dia 17 de abril de 2006

Por: Elio Traczynski

Esta data tão importante
Que lembramos a cada instante
Foi com muita luta que conseguimos uma vitória significante
E não esqueceremos jamais
Porque há 10 anos atrás
Um acampamento de trabalhadores rurais – MST
Começava a organizar
Para ocupar um grande latifúndio
No Estado do Paraná.
Usando apenas ferramentas de trabalho
Foices e facão
Sendo que sabiam que teriam que enfrentar uma dura missão
Os jagunços da fazenda
E alguns políticos da região.
Naquela noite escura e fria
Muitas famílias sofriam
Caminhando pela escuridão
Para chegar ao clarear o dia
No lugar exato
Hoje chamado “buraco”
Onde alguns meses ficamos acampados
Deste lugar temos tristes lembranças
Ali morreram várias crianças
Mas nesta mesma data, 17 de abril de 1996
Uma triste notícia chegava para os camponeses
Que do outro lado do Brasil
19 companheiros foram assassinados
A tiro de fuzil,
Em El Dorado dos Carajás
Que fica no Estado do Pará
Essa triste chacina
Também temos que lembrar
Mas aqui não foi diferente
Perdemos dois companheiros inocentes
Vanderlei das Neves e José Alves dos Santos
A luta foi sofrida
Mas devagar foi erguida
A nossa bandeira querida
E hoje nos orgulhamos de estar aqui
Graças a Deus ninguém pôde impedir
Que cada companheiro que lutou com fé e dedicação
Hoje tenha um pedaço de chão para trabalhar e produzir.
Hoje 1500 famílias
Trabalhando gerando riqueza e desenvolvimento
Para o município de Rio Bonito do Iguaçu.


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Colégio Iraci Salete realiza Assembleia geral

Por Rudison Luiz Ladislau

Nesta terça-feira, dia 16 de setembro de 2014, foi realizada mais uma vez neste ano a assembléia do Colégio Iraci Salete, momento este que tem sido de grande importância para debater as questões relacionadas a educação e tirar encaminhamentos. Na oportunidade, foi marcante a presença dos pais, mães, responsáveis, educandos, educadores, representantes do MST e pesquisadores. 




quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Sem Terra inauguram Escola Itinerante para atender 590 estudantes acampados

Por Carla Loop
Da Página do MST

Nesta terça-feira (09), as 2.500 famílias do Acampamento Herdeiros da Terra de 1º de Maio, em Rio Bonito do Iguaçu (PR), puderam comemorar o direito a educação e a escola do campo, com a inauguração da Escola Itinerante no acampamento.

Ao todo, cerca de 590 estudantes do acampamento poderão estudar na escola. Serão formadas 14 turmas, divididas entre a Educação Infantil com 280 estudantes; 80 estudantes do Ensino Fundamental; 30 de Ensino Médio; e 200 estudantes de Educação de Jovens e Adultos (alfabetização e EJA II - Ensino Fundamental).

Com exceção das atividades do Ensino Médio que começará em 2015, todas as outras turmas já se iniciam neste ano, que contarão com 28 educadores e mais três pessoas do administrativo. Toda a construção da escola foi realizada por meio do trabalho voluntário dos acampados, inclusive para ela iniciar suas atividades pedagógicas.

A Escola Itinerante é uma escola pública que funciona dentro dos acampamentos organizados pelo MST, voltada à escolarização de crianças, adolescentes, jovens e adultos acampados em todo o país.

Como explica Juliana de Mello, dirigente do setor de educação no acampamento, a escola itinerante forja uma nova pedagogia gestada pelos próprios trabalhadores. Sua principal função é atender as pessoas que estão em processo de luta, e o Movimento tem a tarefa de ajudar a organizar a escola.

“Construir uma escola Itinerante é uma oportunidade de fortalecer a luta do povo, de organizar mais um espaço educativo do Movimento Sem Terra, para que os sujeitos que estão em formação e inseridos no acampamento possam aprender que lutar e construir uma nova sociedade é tarefa de todos, e desde já, exercitarem isso”, acredita Juliana.

Segundo Juliana, um dos princípios básicos do Movimento é o compromisso com a educação escolar, que visa garantir “que os educandos sejam respeitados, sobretudo no acesso ao conhecimento a partir da realidade em que vivem”.

Com explica a educadora, as famílias acampadas não reivindicam apenas o direito à terra, de plantar e colher alimentos saudáveis, mas também de ter acesso a escola, a saúde, a comunicação, cultura e qualidade de vida.

“Desde o acampamento as famílias vão experimentando uma nova forma de construir as relações, baseadas na solidariedade, na cooperação, no cuidado com a terra e com a vida”, ressalta.

As milhares de famílias Sem Terra do Acampamento Herdeiros da Terra de 1º de Maio reivindicam a Fazenda Rio das Cobras, explorada pela empresa Araupel.

Segundo eles, a área, ocupada desde 17 de julho, foi grilada pela empresa, que atua principalmente na exportação de madeira de floresta nativa e de madeiras plantadas. Por isso, as famílias reivindicam a desapropriação da fazenda de cerca de 35 mil hectares para fins de Reforma Agrária.

O mundo dá voltas

A primeira Escola Itinerante no Paraná foi oficialmente reconhecida em 2003, e aconteceu justamente na segunda ocupação das terras nulas sob domínio da Araupel, em Quedas do Iguaçu.

As duas escolas foram batizadas com os nomes de Chico Mendes e Olga Benário. Na época, mais de 1000 crianças, jovens e adultos foram matriculadas. Atualmente, ambas as escolas se integram a rede estadual de ensino, e se constituiram como Colégios Estaduais do Campo, reconhecidos e mantidos pelo Estado do Paraná.

O Colégio Estadual do Campo Iraci Salete Strozak, no assentamento Marcos Freire, em Rio Bonito do Iguaçu, é a Escola Base das Escolas Itinerantes no Paraná, que funciona como suporte e reconhecimento legal das escolas itinerantes.

Além de viabilizar as matrículas e cuidar da parte documental, a Escola Base garante um projeto político pedagógico vinculado aos princípios do MST, a Pedagogia do Movimento e a construção da Educação do Campo.

Atualmente, o Paraná conta com 12 Escolas Itinerantes em diferentes regiões. O desafio dos Sem Terra é garantir que em todos os acampamentos de trabalhadores rurais exista uma escola itinerante.